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16/06/2014

Christiane Torloni fala sobre nova novela, o documentário que está produzindo e sua relação com a internet e os fãs

Presente na última edição do Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, que aconteceu entre maio e junho, na Cidade de Goiás, a atriz Christiane Torloni conversou com a reportagem sobre sua relação com a natureza, seus próximos trabalhos e outros assuntos. Além de participar da próxima novela global das 19h – que substituirá Geração Brasil – e já contou com títulos como "Buu" e "Alto Astral", ela codirige com o cineasta Miguel Przewodowski o documentário Amazônia – Da Cidadania à Florestania – Um Despertar. O longa-metragem está relacionado com o meio ambiente, causa que a artista defende há muito tempo. E usando sua imagem pública para causas nobres, ela foi responsável – junto com os atores Victor Fasano e Juca de Oliveira – pelo manifesto Amazônia Para Sempre, que acumulou assinaturas de todo o País em defesa da preservação da natureza.

Como é o seu novo filme?
 É um longa-metragem de documentário chamado Amazônia – Da Cidadania à Florestania – Um Despertar. Ele conta a história de uma rede de personagens, como o Milton Nascimento e Tom Jobim, que têm, construída na sua trajetória, uma malha de sustentabilidade. Quando eu falo da cidadania do título, falo das Diretas Já. As pessoas que estavam envolvidas, por alguma razão mágica, foram se encaminhando para a floresta, resgatando  valores ligados à natureza. Quando eu fui gravar a minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, tive a oportunidade de conhecer um dos pensadores desse conceito florestania. Essa relação da cidadania a florestania é porque estamos vivendo um tempo no Brasil que, por várias razões, nunca se quis tanto queimar o que resta da floresta e extrair os minerais. Nunca a bancada ruralista se expôs de uma maneira tão clara como no ano passado, na época da discussão e da mudança do Código Florestal. A justiça é tão complicada, não é? Conseguiu uma brecha constitucional para mudar o código, o que para nós vai ser muito ruim.

Fale do seu papel neste novo documentário.
Produtora e codiretora do documentário com Miguel Przewodowski. Nos anos 80, fizemos um documentário sobre o Arthur Bispo do Rosário. Ficou muito bonito, na colônia Juliano Moreira. Neste novo eu sou como uma fibra ótica dentro do filme. Eu apareço em alguns momentos, mas a rede é a protagonista.

Você gosta de praia. Na prática, o que você faz para preservá-la?
Eu cato lixo na praia. Eu acho muito feio quem vai para a praia ou cachoeiras e deixa seu lixo. É tão legal você levar seu saquinho e colher seu lixo. Dá uma sensação boa que você está fazendo a sua parte, fazendo a coisa certa. Existem dois tipos de pessoas. As que acham que a vida é um direito e usam tudo o que elas podem. Elas sugam, estupram, saqueiam. Não só as pessoas, como as coisas e o planeta. Outro segmento de gente acha que a vida é um privilégio e aí elas têm tendência de cuidar. Elas andam com cuidado nos lugares naturais. Essa percepção você vai percebendo depois de algum tempo de vida. Você percebe que existe essa divisão de gênero de gente: a que usa ou que guarda, respeita e quer que aquilo continue. Eu gostaria que o termo sustentabilidade fosse ensinado nas escolas como uma matéria, como matemática ou geografia.

Você pode falar sobre a novela das 19h? O nome é Buu?
Buu é o nome provisório. As reuniões de elenco começam em breve e eu faço um personagem que se chama Maria Inês, que é mãe dos dois personagens masculinos principais, que são irmãos um pouco em cima de Caim e Abel. É um personagem bem bonito e bem humano.

E ela é uma vilã ou mocinha?
Não é uma vilã. É uma mãe que tem dois filhos adotados, então tem uma discussão bonita sobre isso: como é essa relação dos pais com seus filhos adotados que crescem e buscam saber sobre os pais. Existe uma certa insatisfação existencial porque eles buscam os pais biológicos. Então os pais que doaram suas vidas algumas vezes são rejeitados. É muito interessante, uma discussão bonita. É uma novela espiritualista porque ela fala de personagens desencarnados. Mas não é como A Viagem, que inclusive vai reprisar no Viva. A Viagem tinha um compromisso mais profundo com a questão espírita. Buu é mais uma comédia, mais leve.

Entre ser vilã ou mocinha o que você prefere?
(Risada estilo Tereza Cristina, de Fina Estampa). A minha preferência são bons papéis.

E o que te faz querer um bom papel? Algum desafio?
Um bom personagem atua como uma paixão na sua vida. Você não sabe exatamente porque ele te movimentou tanto, mas depois vai sabendo porque vai lendo o texto. Mas normalmente, a menos que seja uma obra fechada, alguma coisa te encantou ali e você acredita naquilo como uma paixão. Às vezes você dá com os burros n’água, e às vezes você é feliz por nove meses com essa paixão.

“Dia de rock, bebê” virou meme na internet. Qual sua relação com as redes sociais? 
Há alguns anos, uns seis ou oito anos, eu tinha por volta de 40 comunidades na internet. Aí elas foram se agregando e elas viraram uma chamada Torloni Star. Essa comunidade é comandada por uma rede de pessoas muito interessantes que me seguem há mais 30 anos. Elas suprem a minha necessidade de ter um Twitter, um Facebook. Se você quiser saber onde eu estou é só olhar lá com as meninas. É interessante porque a ideia de um fã clube sempre foi uma coisa que me desagradou um pouco. Eu sou uma pessoa muito religiosa, de muita fé. Então adorar para mim eu só adoro o que tem um valor místico. E eu sempre fui absolutamente contra qualquer coisa tipo de divinização, alguma coisa que beire o irracional. E essas meninas foram entendendo que, para me seguirem, precisariam ter uma função. E elas foram assumindo as causas sociais que eu entrei, como a Amazônia. Foram se tornando verdadeiras ativistas. Então isso que é o legal. Eu acho que as redes sociais são fundamentais em tempos de integração, mas são muito discutíveis quando elas passam uma fronteira muito tênue e delicada, que aquilo que é a vida da pessoa e quando a pessoa devia ficar como todo mundo, quieta em sua toca.

E a história do  “Hoje é dia de rock, bebê”?
Eu achei engraçado na época porque tinha um espanto. Eu pensei ‘que engraçado, porque eu sempre fui rockeira. Assim, não sou Rita Lee, não sou rockeira de profissão, adoraria ser, mas não sou. Eu transito no espírito da época da minha geração que é rock’n’roll, então adoro. Então fiquei espantada. Pensei que deve ter alguma persona construída para fora, que as pessoas que acham que eu sou uma pessoa muito careta porque elas se surpreenderam. Mas foi uma surpesa tão feliz para elas que virou uma coisa ótima, uma comemoração. E eu falei que bom, foi melhor ainda.

Fonte: Jornal de Brasília