sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Christiane Torloni e José Possi Neto são entrevistados no Programa do Jô Soares - 11/11/09
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Christiane Torloni confere exposição do ex-marido, Luiz Pizarro

Christiane Torloni, Maitê Proença e Cissa Guimarães estiveram no Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio. Na noite desta quarta-feira,11, as atrizes foram conferir de perto as peças da exposição “Morros velados”, de Luiz Pizarro.
Sobre o fato de conviver bem com os ex-maridos - além de Pizarro ela mantém uma excelente relação com Dennis Carvalho - Christiane diz achar supernormal. ‘’São pessoas que fazem parte da sua história. Não dá para brigar com elas só porque o casamento acabou. Éramos amigos, namoramos, casamos e nos separamos’’, resumiu.


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Juliana F.
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Christiane Torloni - A hora e a vez da loba
Em entrevista coletiva, Christiane Torloni, Leonardo Franco e José Possi Neto falam da peça “A Loba de Ray Ban”, versão feminina do texto de Renato Borghi montado em 1987 (veja fotos), com Raul Cortez no papel principal - e que trazia a própria Christiane no elenco, além do ator Leonardo Franco na temporada carioca. Na nova montagem, a atriz Maria Maya completa o time de atores. Confira alguns trechos:
Como é retomar a peça 22 anos depois?
Christiane Torloni: A sensação que tenho é que a Julia cresceu. Este novo papel poderia ser o desenvolvimento daquela mulher que, há duas décadas, tinha trinta anos e era casada com um grande ator. Agora ela é uma mulher de cinqüenta, se tornou uma loba e hoje a vida dela é assim. Não é uma inversão de papéis e sim uma evolução. E nós temos uma trajetória importante que começa com “O Lobo de Ray Ban”, dirigido por Possi. A história da peça no ponto de vista da dramaturgia é incrível. “A Loba” nasce, segundo o autor Renato Borghi, na leitura de “O Lobo” para alguns amigos, entre eles Dinah Sfat - que se reconhece nesse personagem e diz que quer fazer. Borghi então cria uma versão feminina do texto, mas infelizmente Dinah não pode agarrá-la antes de Raul Cortez. Na mesma forma que Léo me mostrou há dois anos, quando agarrei o projeto. É uma história tão universal que parece natural o que está acontecendo.
Conte da trajetória da produção atual até chegar ao palco.
Leonardo Franco: Eu tinha 23 para 24 anos, quando me deparei com Possi, Cortez e Renato Borghi. Era estudante de psicologia e ensaiava ser ator na própria faculdade. Para minha sorte, minha primeira produção foi “O Lobo”. Fui apresentado ao teatro que dá certo por Cortez e Possi e isso marcou profundamente minha vida, determinou uma série de escolhas e a trajetória que quis seguir. Viajar na sua peça de estréia com pessoas deste gabarito faz com que o ator entenda o caminho que quer traçar. Entrei no segundo elenco, com Patrícia Pillar substituindo a Christiane, fizemos um grande percurso pelo Brasil. Quando a peça acabou, eu tinha ficado cerca de 11 meses em cartaz e senti que precisava mais tempo com “O Lobo”. Logo em seguida, soube da versão feminina e fui atrás de Borghi. Ele não tinha mais o original do texto, que encontrei em uma biblioteca no Rio de Janeiro. Guardei por 17 anos com a intenção de reviver aqueles momentos esplendorosos do inicio da minha carreira. A idéia era inaugurar o Centro Cultural Solar de Botafogo, no ano passado, mas não conseguimos viabilizar. Estreamos com “Campo de Provas”, de Aimar Labaki, que para minha felicidade era dirigida por Ignácio Coqueiro, marido de Christiane. Por conta disso, eles foram à estréia da peça e Christiane soube que eu estava com o texto da “A Loba” e me procurou. Para mim, fazer esta montagem com Possi e Christiane é um retorno. O meu projeto é viver os três papéis: fui o jovem ator há 22 anos, agora sou marido e daqui a dez anos já tenho um compromisso com Borghi para viver o Lobo. Raramente isso acontece na vida de um ator.
A peça trata do homossexualismo?
José Possi Neto: O assunto principal da peça não é o homossexualismo. Este é apenas um dos temas. Mas como é ainda um tabu, ele acaba aparecendo na frente. O grande assunto é o relacionamento amoroso, o papel da traição, da paixão e do ciúme. Por isto esta peça é universal, nunca fica datada. Um clássico. A relação de ciúmes e a relação de casal estão presentes, por isso as pessoas se encontram ali. A paixão, o amor e o abandono, a dor da separação - todo mundo se projeta nisso. Paralelo a isto, o que governa essas relações é uma paixão por uma causa maior: o teatro. Por causa do preconceito, a personagem de Maria se separa de Júlia. Mas o que mais magoa a “loba” não é a separação amorosa, mas o fato que ela está perdendo seus parceiros artísticos. A peça defende a honestidade, não o homossexualismo.
Como o passado e o presente se encontraram no processo de ensaio?
Christiane: O processo foi peculiar. Como tínhamos pouco tempo de ensaio, Possi pediu para que decorássemos o texto antes de nos reunirmos, o que não é muito normal na cronologia de uma montagem. E quando sozinha começava a ler, a música do texto era a música do Raul. De coração, eu sei o texto da Julia e ouvia o Raul falando, eu me emocionava muito neste processo e em algumas leituras. Era como se ele sussurrasse as falas em meu ouvido. Agora eu estou começando a vivenciar a personagem. É parecido com um jogral, com vozes do passado que continuam em cena. Essa presença do Raul falando é muito forte. A Julia foi um upgrade para mim. Na primeira montagem estava com 30 anos, uma idade marcante para a mulher. Agora, eu e ela temos outra passagem de nível que é para uma maturidade, que preciso ter para entrar nessa caverna, nessa aventura. E tenho o Raul muito presente vivenciando essa mudança interna. O texto veio para me dizer que já cheguei a algum lugar. Agora me diz: “você é uma loba, seja loba!”
Fonte : Página de teatro - GLobo .com
(Fotos da galeria do Lobo de Ray-Ban foram cedidas pela Torloni Star. Dora Paes nos passou e eles nos pediram depois )
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Christiane Torloni - A Loba da Amazônia
Christiane Torloni atua há mais de 35 anos e é uma referência na dramaturgia brasileira. Entre novelas, cinemas e teatros, é nas coxias que acalma a sua alma e se sente em casa. “Nasci praticamente no palco, foi sorte encontrarem tempo de correr e levar mamãe a maternidade na hora de eu nascer”, brinca no decorrer da entrevista dada a coletiva de jornalistas dispostos a saber tudo sobre o seu novo projeto teatral. Ela aparece à vontade vestida de calça jeans, tênis, discreta blusa preta, um colar dourado, linda e elegantíssima, em seus plenos 52 anos.

Em 40 minutos de entrevista, Christiane menciona várias vezes seus pais, os atores Monah Delacy e Geraldo Matheus, casados há 54 anos, com carinho e orgulho pelo universo artístico que proporcionaram a ela desde muito cedo, o que revela uma mulher que valoriza e respeita a família. Mãe do ator Leonardo Carvalho, casada com o diretor Ignácio Coqueiro, sente-se orgulhosa por caminhar dentro da cronologia teatral e amadurecer.
Ela é intensa, vai além do que as telas, câmeras ou palcos podem lhe proporcionar. Para ela é preciso ter coragem para sair da zona de conforto emocional vindo da maturidade, e necessário para avançar e superar medos. “Nos últimos dois anos fiz duas novelas, gravei o filme da história do Chico Xavier, participei de um concurso de dança, defendi um projeto ambiental em busca de prestígio social e preservação da Amazônia, e agora interpreto a Loba, um papel que exige um mergulho na maturidade” ,revela mostrando que sempre é possível mais.

“Não há uma divisão na formação de um indivíduo, ele é a soma de sua espiritualidade, profissão e existência pessoal”, afirma convicta. “Estou preocupadíssima com a apatia do povo brasileiro, as pessoas parecem viver a base de tarja preta (referindo-se a remédios controlados), tomam Rivotril com se fosse floral. O povo está se anestesiando, não querem se emocionar, chorar, acho até que nem estar alegre, porque pode dar rugas”, se posiciona enfaticamente, sem medo de cutucar aqueles que podem se ver no que ela está dizendo. Christiane aproveita a credibilidade e a visibilidade que conquistou ao longo da carreira profissional, e se engaja em questões políticas e sócio-ambientais.
Ela já tinha visitado a Amazônia em 1995, mas foi enquanto gravava a minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007), que Christiane viu que algo precisava ser feito urgentemente. Por causa das gravações, ela viajou de Iapóca a Chui, cruzou o país inteiro, foi ao Acre, e interpretando uma personagem espanhola, o que lhe deu a chance de aprender sobre contextos históricos da nossa nação e ver uma realidade triste: desmatamento e devastação da floresta. Brotou ali o seu envolvimento e vontade de querer fazer algo pela preservação de um dos nossos maiores tesouros. Ao lado do ator e amigo, Victor Fasano, iniciaram uma campanha para chamar a atenção das autoridades e do povo da urgência em relação a preservação amazônica.
Não se trata de uma ONG e sim de um fundo, onde os atores se organizaram para conseguir o maior número possível de assinaturas que apoiassem a exigência para que seja cumprido o Parágrafo 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, que garante a preservação da Floresta Amazônica. Somado a isso, a iniciativa também visa despertar a consciência e o senso de cidadania nos brasileiros. Muita divulgação e uma carta em forma de poema, de autoria de Juca de Oliveira, colaboraram na sensibilização popular. Em quase dois anos de campanha, conseguiram 1.117.993 milhão assinaturas, que foi entregue pessoalmente, no dia 04 de junho deste ano, ao Presidente da República Lula Inácio da Silva. “Finalmente conseguimos representar a voz do povo e nos fazer ser ouvidos. Quanto mais falarmos nisso, mais despertaremos a consciência. Temos que buscar um discurso regular. A Floresta Tropical é o nosso maior ágil, o caminho para que as pessoas tenham educação ambiental e uma Amazônia em pé!”.

Ela que em tempos de caras pintadas se posicionou politicamente com muita convicção, hoje não se declara adepta a nenhum partido em particular. Mas não esconde a sua forte admiração pela candidata Marina Silva: “ela é uma mulher de coragem, com a saúde fragilizada pelas inúmeras malárias, se alfabetizou aos 15 anos, e fala como alguém formado em Harvard (respeitada Universidade inglesa), ela fala com o coração. Quando Senadora, ela já vinha trazendo estas questões ambientais ao plenário e atualmente será alguém que priorizará estes temas e as produções ‘verdes’". E mais uma vez Christiane deixa o recado e alfineta: “O que nós brasileiros não podemos de jeito nenhum é fechar os olhos para o passado dos candidatos políticos. A democracia nos excita e nos capacita através de assinaturas a impedir que sujeitos com fichas sujas possam vir a se candidatar. Como assim um ladrão ou um assassino candidato? Onde vamos parar?”.
Para a atriz, ela já vê macro a questão da preservação ambiental, entende que precisamos de ações grandiosas e urgentes para resultados efetivos, e que nós cidadãos precisamos nos organizar para isso. Quando pergunto de seus hábitos sustentáveis, ela me responde quase que ofendida, como se tivesse acabado de ouvir uma pergunta óbvia e ultrapassada: “Ora, é claro que faço, eu separo o lixo, fecho a torneira ao escovar os dentes, desligo o carro no trânsito,... Se não, é como se eu fizesse um discurso aqui e não vivesse o que falo. Não sou ‘ecochata’, mas faço a minha parte!”.

A peça é uma versão feminina do grande sucesso do autor Renato Borghi, encenado pela primeira vez, em 1987, com Raul Cortez como o lobo. Christiane Torloni também fazia parte do elenco há 22 anos, assim como o ator Leonardo Franco, na turnê da peça pelo Brasil. Mas agora, embora seja baseado no mesmo texto, o diretor José Possi Neto --que também dirigiu a montagem original--, garante que há muitas diferenças, já que Christiane, Leonardo, e até mesmo ele, já não são as mesmas pessoas. “Crescemos e amadurecemos como artistas e como seres humanos”, afirma Possi.
Após interpretarem uma irreverente relação de mãe e filha na novela global “Caminho das Índias", Christiane Torloni e Maria Maya agora são amantes. Tudo foi uma grande coincidência. Há dois anos, quando o elenco para a peça foi selecionado, a trama dos Cadores ainda não estava no ar. “Foi uma excelente oportunidade para avaliarmos se trabalharíamos bem juntas”, afirma Christiane. Quem completa o trio amoroso é o ator Leonardo Franco, que trás a tona situações convencionais e de bissexualidade.
Numa noite, um espetáculo de teatro é interrompido pela atriz principal, Júlia Ferraz (Christiane), que assume o clímax de sua crise existencial e afetiva diante do público. Escândalo. Revela-se o triângulo amoroso vivido por ela, envolvendo o ex-marido, Paulo Prado (Leonardo) e sua amante, Fernanda Porto (Maria), ambos atores da sua Companhia Teatral. A partir desta história, o público assiste a uma discussão sobre moral e relacionamento amoroso. Tudo em meio ao cotidiano dos camarins e coxias de um teatro. Trata-se de um desafio de interpretação para os três atores apaixonados pelo teatro.
Esta montagem foi produzida por Franco e Christiane, que consideram o texto uma jóia da dramaturgia nacional.
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domingo, 8 de novembro de 2009
Christiane Torloni nos Bastidores da peça " A Loba de Ray-ban "
" Não estou morrendo de curiosidade."
"Ele é demais!"
"Tanto assim ?"
"Eu disse demais !"
"Como ele se chama ?"
"Paulo...Paulo Prado!"'
"Paulo! "
Paulo : (Marat) ( Franco, Febril) : "A febre me deixa tonto
minha pele se incendeia, dilacerada
Simone!
Simone, embebe o pano na água fria
refresca a minha frente na brasa.
Parece que tudo perdeu o sentido
Tudo que eu disse foi pensando,
meus argumentos exprimiam só verdade.
Por que essa dúvida agora ?
Por que tudo parece tão inútil?
Falso...inútil...falso..."
"Ah, meu Estragon! Será que você se sentia tão abandonado quanto eu enquanto esperava Godot? Não sei ...Guardo para sempre a imagem de Cacilda : desamparo e solidão! ( A campainha começa a tocar insistentemente) Já vai! Já vai! Pronto! Só um pouco de base no esparadrapo, blush na gaze e muito pó no mercúrio cromo...assim...e lá vamos nós!
[...]Não vá embora menina ! Você não pode sair assim como quem nunca esteve..."
Júlia : Paulo eu não admito ! Você ...
Júlia : Paulo, vamos parar por aqui, está bem? Vamos parar!
Paulo : Não ama porra nenhuma! Se amasse, não haveria velhinha capaz de impedir nada! Era só o que faltava! Deixar de viver uma paixão por causa de uma velhinha ..."
Júlia : Paulo !
"Você é uma caixinha de surpresa, Paulo ! Me fale mais dessa velhinha "
"Da solidão da velhinha ?"
"É"
" igual..."
"O quê ?"
"A que todo mundo sente. Até aquele marido bem normal, 'bodas de prata', filhos e netos, mas que sai de casa disfarçando negócios para gastar uma puta grana nos "Relax for Men", comendo as massagistas japonesas de preferência . Porque em casa o tesão acabou e não suporta mais a mulher e todo o resto "
Júlia : E se eu lhe pedisse para ficar ?
Júlia : Paulo , é impossível que você não tenha percebido que eu sempre ....
Paulo: Me amou ? Pode ser ... deve ter me amado. Não percebi ... amou... não ama mais .. ficou no passado. O presente é Fernanda . [...]
Júlia : Olha , eu quero ...
Paulo: Não queira não! Hão há mais quereres para nós. Agora é partida .....[...]
Júlia : Paulo eu ...
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Estado de S.Paulo : Christiane Torloni em pele e garra de loba

Sentimentos como paixão e rejeição, quando atingem extremos, não são nada fáceis de serem interpretados. Uma cena, como há nessa peça, em que uma mulher se lança literalmente aos pés de outra pessoa e implora para não ser abandonada, pede uma qualidade de interpretação muito especial. Se a atriz não se lança plena, se fica a meio do caminho, nada acontece. Se decide "exibir" a dor, cai no ridículo, que se separa do patético, no sentido do "pathos" dramático, por uma linha tênue. É cena que pede despudor e senso de medida, visceralidade e domínio técnico, tudo ao mesmo tempo. E, pelo que se viu no ensaio, Christiane vive um momento de atriz capaz de alcançar tal diapasão. E tem nos atores Leonardo Franco e Maria Maya parceiros de cena à altura do protagonismo que a peça exige dela.
Efeitos de cena, jogos e truques teatrais não são gratuitos nesse espetáculo cuja trama, muito bem urdida, de Renato Borghi, presta homenagem ao teatro, mais especificamente a uma certa tradição cênica, predominante nos últimos dois séculos, cujo espaço por excelência é o edifício teatral, abrigo do palco italiano, a caixa cênica com maquinaria inspirada na construção naval, com seus cordames e panos (velames), urdimentos e alçapões. Sobre seu tablado de madeira gerações de atores deram vida a textos estruturados em atos, personagens, relações de causa e efeito. E encantaram plateias ao longo dos tempos. Eles, seus amores e seu ofício são tema dessa peça.
"Quando fizemos a primeira montagem, tínhamos medo de que só tivesse interesse para a classe teatral", lembra Possi. Por motivos óbvios, essa preocupação não existe mais. A versão feminina de O Lobo de Ray-Ban tem como protagonista Julia Ferraz, primeira atriz e empresária, dona da companhia, que um dia se apaixonara pelo jovem ator Paulo ao vê-lo numa cena de Marat/Sade. Juntos, eles viveram um casamento amoroso e artístico de 12 anos. Quando a peça tem início, a separação afetiva entre eles ocorrera há um ano, mas a parceria na arte se mantivera. No entanto, a noite flagrada - em que se representa não por acaso Medeia, a tragédia de Eurípedes na qual a protagonista mata seus filhos para vingar-se do abandono de Jasão - será a última apresentação dele na companhia. Paulo rompeu seu contrato e vai atuar na televisão.
Bissexual, Julia já está apaixonada pela jovem atriz Fernanda, que há um ano se integrara à empresa. Não por coincidência, mas por escolha nada aleatória de Renato Borghi, a jovem atriz foi aprovada num teste para a peça As Criadas, de Jean Genet, que enfoca uma relação de amor e ódio das três mulheres do título, com a rica, bela e poderosa madame. Mas também ela, a jovem atriz, avisa naquela mesma noite que deixará a companhia. A dor pesa e Julia Ferraz, em plena representação, começa a chamar Jasão de Paulo, mistura tudo, até interromper a cena. "São várias quartas paredes", diz Possi, referindo-se àquela separação invisível que faz do espectador um voyeur. Isso porque, quando a cena é interrompida para o suposto público de Medeia, ela não só continua, como se intensifica, para quem foi ver A Loba. "Separação, adultério, rejeição, paixão, desejo de vingança. Quem não viveu alguma dessas experiências!", diz Torloni. "E a peça aborda sentimentos sem meias palavras, sem poupar ninguém, elenco ou público."
Imagina-se que a bissexualidade fosse um tema de trato mais delicado há 22 anos. "De jeito nenhum. Estávamos mais próximos dos anos 70, da geração que fez a revolução do prazer, antes que a filosofia yuppie, da década de 80, se sedimentasse. E veio a aids, que provocou um retrocesso na liberdade sexual. Há, claro, permissão para os jovens dormirem com suas namoradas na casa dos pais, mas os tabus continuam aí, e as pessoas estão muito mais defendidas no amor. E esse texto trabalha com os impulsos arquetípicos da paixão", afirma Possi. "E Borghi faz isso por meio de personagens mitológicos, como Medeia, e assim informa muito rápido ao público o que está em jogo", diz Torloni.
Por que a versão feminina demorou tanto a subir ao palco? "Nem Borghi tinha mais uma cópia", diz Leonardo Franco, o responsável pela "redescoberta" da peça, que depois de muito procurar achou o texto na Biblioteca Nacional. "Atuar na montagem anterior foi um marco em minha vida. E ainda quero, daqui a dez anos, voltar a esse texto, no papel do protagonista", afirma esse ator, fundador do Solar de Botafogo, um espaço teatro que já se firmou no cenário carioca. Coincidentemente, ali fez sucesso Play, montagem inspirada no filme Sexo, Mentiras e Videotape, que deve chegar a São Paulo em janeiro, e da qual Maria Maya é uma das produtoras e também atua. Gente de teatro é alma e carne em A Loba de Ray-Ban.
... na homenagem ao teatro presente antes ainda que a cortina se abra. Ao entrar no teatro, o espectador vai ouvir uma gravação com aquele burburinho característico das plateias antes do início da sessão: conversas de muitas vozes embaralhadas, tosses. Vez por outra, uma frase sobressai. "Todas são de gente de teatro", diz Possi. "Tem Cacilda Becker e Walmor Chagas, Nelson Rodrigues, Raul Cortez..." Paulo Autran e Bibi Ferreira foram as duas vozes reconhecidas pela reportagem do Estado no curto trecho ouvido.
...na forma "diferente" como Christiane Torloni traz para o palco as batidas de Molière, como ficou conhecido o "sinal" para o início da sessão - sete batidas com um cajado sobre o palco -, usado pelo dramaturgo e ator francês antes que a luz elétrica tornasse comum os três toques de campainha.
...na dramaturgia muito bem urdida de Renato Borghi, autor de A Loba de Ray-Ban, a homenagem ao teatro se dá de várias formas. Uma delas é a inserção de nomes de peças, naturalmente, no meio de um diálogo. Fique atento para detectar títulos como Doce Pássaro da Juventude (Tennessee Williams), Essa Noite de Improvisa (Luigi Pirandello. Há outras. É gostosa brincadeira identificá-las.
Aproveite para conhecer melhor o tradicional palco italiano, com a chamada caixa cênica que é parte da cenografia. Termos como camarins e coxias (lateral onde os atores esperam para entrar) estão presentes. Quando Christiane diz que vai subir para a varanda, ela se refere a uma espécie de andaime de metal que permite aos técnicos manipular os cordames e refletores. Possi "falseia" uma varanda no palco. A verdadeira fica lá no alto.
VERSÃO MASCULINA
PROTAGONISTA: Raul Cortez interpreta o dono da companhia, que se vê abandonado pela ex-mulher, a atriz e companheira de 12 anos, e pelo jovem ator por quem está apaixonado.
SEGUNDO PAPEL: Christiane Torloni vive a companheira e parceira artística do grande ator, a quem deixa para atuar na TV.
QUEM CHEGA: Leonardo Franco entrou no elenco já com o espetáculo em temporada para viver o jovem iniciante que se torna amante do grande ator.
PEÇAS DENTRO DA PEÇA: Ricardo III, o personagem histórico corcunda e cruel da criação de Shakespeare, é o papel vivido pelo grande ator em cena. Não por acaso. Evidentemente, o autor fez tal escolha porque o papel traduz tanto o "poder" exercido pelo dono da companhia como a sua sensação de rejeição, faces de uma mesma moeda. Eduardo II era a peça utilizada no "teste" feito pelo jovem ator iniciante.
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Christiane Torloni reúne famosos em estreia da peça "A Loba de Ray-Ban"

O espetáculo é uma remontagem que já foi realizada com base na peça “Lobo e Ray-Ban”, que tinha como protagonista na época Raul Cortez. “A emoção é muito forte. São Paulo tem uma energia ótima. É um espetáculo de Raul Cortez, então é uma homenagem a ele, a todos os atores, que passaram por todos os palcos em São Paulo”, disse Christiane sobre o autor.
Emocionada, a atriz revelou que sente o ato por perto. “Eu sinto a presença de Raul Cortez o tempo todo. Ele está no teatro, ele é o teatro.”
Após ter dado vida uma homossexual na TV, em “Torre de Babel” (1998), agora, ela interpreta uma bissexual, que vive um triângulo amoroso envolvendo o ex-marido e a atual amante.
Depois desses personagens polêmicos, a estrela contou lida com esses trabalhos. “Eu acho que são temas que precisam ser tratados com todo carinho, liberdade, inteligência e humor que eles merecem. São temas do nosso tempo, que já foram de outros tempos também. E é legal transitar por esses personagens sem ter pudor.”
A atriz, em conversa com a imprensa, também falou sobre idade e maturidade. “Aos 30 anos, a gente vira mulher e, com 50, a gente vira loba. Então é melhor virar loba do que ficar velha. Dos 30 para os 50 a gente ganha para caramba”, definiu.
Enquanto está concentrada com a peça, Christiane disse que irá se afastar um pouco da televisão. “Vou dar um tempo. Agora a “Loba” tem que andar. O publico vem me ver no teatro e, daqui a pouco, vai me ver no cinema. A gente tem que dar um tempo (da televisão)”, concluiu ela que tem morado tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro por conta da agente profissional.
Wolf Maya foi carinhoso e beijou a filha, Maria Maya, que também estreou a peça. Monique Alfradique, que está concentrada nas gravações de "Cinquentinha", Lúcia Veríssimo e Juan Alba apareceram.
A peça ficará em cartaz até o dia 22 de dezembro e conta a história de uma bissexual, vivida por Christiane, que vive um triângulo amoro que envolve o ex-marido e a atual amante. Além das atrizes, o elenco conta também com Leonardo Franco e José Possi Neto.

MAIS FOTOS ....




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“Me surpreendeu a reação do público na pré-estreia do espetáculo, parecia estar num show de rock´n´roll. A expectativa foi alcançada. Estou muito satisfeito com o resultado”, revelou Possi Neto.
O diretor afirmou que há um projeto de a peça ser adaptada para o cinema, mas ainda não há nada concreto. “Estamos com um projeto de a peça virar filme, mas ainda não temos muitos detalhes sobre isso”, contou Possi Neto.
FONTE : QUEM, TE CONTEI
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