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30/07/2012

Christiane Torloni mistura dança e teatro em 'Teu Corpo é meu Texto'


Christiane Torloni não tem ciúmes de Carminha. A intérprete da vilã Teresa Cristina em “Fina estampa”, novela global que antecedeu “Avenida Brasil”, é só elogios à performance de Adriana Esteves que anda parando o Brasil.

— Eu me divertia com a Teresa Cristina, que era praticamente uma vilã de história em quadrinhos, supercaricata. A Carminha é realista. Às vezes vejo a Adriana em cena e penso: “Como ela deve estar sofrendo!” Que orgulho para o Brasil ter duas novelas fazendo tanto sucesso, com vilãs inesquecíveis, uma atrás da outra — diz Christiane, afirmando, aos 55 anos, viver um dos momentos mais especiais de sua carreira.

Primeiramente porque Teresa ainda “não saiu” dela.

— Vou deixá-la no seu lugar, TV não faço tão cedo.

Em seguida porque, três semanas depois de acabar de gravar “Fina estampa”, a atriz se envolveu em um projeto que o público poderá apreciar no Teatro Carlos Gomes, hoje, às 21h, e amanhã, às 19h (a preços populares) e às 21h.

Dirigida pelo amigo e mentor José Possi Neto, a atriz é narradora e bailarina em “Teu corpo é meu texto”, espetáculo de dança aplaudido por minutos a fio quando estreou, há duas semanas, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

Ao lado da Studio 3 Cia. de Dança e da Cia. Sociedade Masculina — fundadas por Anselmo Zolla e Vera Lafer —, com cenografia inspirada nas obras do holandês Hieronymus Bosch e trilha sonora de Felipe Venâncio, a atriz personifica uma deusa. E as palavras que saem de sua boca foram escritas pelo dramaturgo Eduardo Ruiz.

“Eu vou lavar tuas roupas/ Eu vou parir teus filhos (...)/ E se preciso for vou colocar veneno/ No seu chá de camomila./ Porque eu sou raiva e flor de maracujá”, diz a deusa aos bailarinos.

— Já encomendei uma peça para ele, o Ruiz foi um achado — elogia Christiane, para quem o corpo sempre foi fundamental instrumento de trabalho. — Me surpreende como os atores de teatro no Brasil não estudam mais Martha Graham (coreógrafa americana que revolucionou a dança moderna). Martha deveria servir de base para o trabalho corporal de todo o mundo.

A longa parceria entre a atriz e José Possi Neto explicita esse cuidado com a movimentação: “O lobo de Ray-Ban”, “A loba de Ray-Ban”, “Joana D’Arc”, “Salomé”. A evolução, a convite de Zolla, para um espetáculo de balé moderno foi encarada como natural.

— Quando acabei a novela fui com o Zé para a Turquia, andamos de balão na Capadócia, esticamos até a Croácia e a Albânia. Na viagem, conversamos à beça sobre o trabalho e, quando voltamos, logo começamos a ensaiar — conta a atriz, que teve, das “10h30 às 20h30”, coaching de Líris do Lago, uma das solistas do espetáculo.

Anselmo Zolla conta que a ideia de “Teu corpo é meu texto” surgiu de uma vontade antiga de misturar dança com teatro, “de uma maneira diferente dos musicais tradicionais que proliferam por aí”.

— Sempre disse que não tenho dois corpos de baile e sim dois grupos de bailarinos-intérpretes. O Possi e a Christiane já misturavam teatro e dança, acho que esse projeto pode dar início a outras belas parcerias — opina o coréografo.

A trilha sonora é uma atração à parte. Felipe Venâncio editou obras clássicas, remixou músicas já existentes, refez arranjos. Há Stravinsky, Tchaikovsky, Glenn Gold tocando Bach. “Stabat Mater”, de Pergolesi, aparece ao lado de “Bésame mucho”. De contemporâneo, o islandês Jóhann Jóhannsson, que mistura o clássico ao eletrônico, e o projeto Pink Martini — mix de música latina, lounge e jazz —, com “No Hay Problem” e “Amado Mio”.

Com essa mistura toda, “Teu corpo é meu texto” deve repetir, em apenas três apresentações no Rio, o sucesso que fez nas também três apresentações paulistanas. Por que tão pouco?

— Pergunta para o mercado, que não permite longas temporadas de espetáculos de dança. É uma pena — diz Possi Neto.


Fonte: O Globo

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