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07/11/2012

Christiane Torloni dança e atua em espetáculo sobre arte e humanidade "Quando danço, é como se eu fosse uma espécie de fio-terra, me conecto com o que há de mais profundo e também com aquilo que está além."

A ligação da atriz Christiane Torloni, 55 anos, com a dança vai muito além do prêmio que recebeu em 2008 ao vencer o quadro Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão. Das primeiras lições de balé clássico aos 16 anos até as aulas que continua tomando, a artista compara o êxtase que sente ao dançar àquele experimentado quando está nos palcos.

E quando pode unir uma coisa à outra, então, a alegria é completa. Como acontece no espetáculo Teu Corpo É Meu Texto, no qual é  convidada de José Possi Neto, que em cena dirige duas companhias: Studio3 e a Sociedade Masculina de Dança. Com coreografia de Anselmo Zolla, eles se apresentam em Salvador de sexta e sábado (21h) e domingo (20h), no Teatro Castro Alves.

O espetáculo de dança contemporânea – com um dos quatro blocos inspirado no bolero – é uma ode ao papel da mulher na história da humanidade e também no desenvolvimento das artes.

“Quando convidamos Christiane Torloni, acabamos indo por outro caminho, que era a visão feminina sobre os processos artísticos. Além de dançar, ela também atua em cena”, afirma Anselmo. O espetáculo, que inicialmente teria poucas apresentações, foi crescendo e ganhou uma pequena turnê pelo país. Em junho do próximo ano, eles levam a montagem a Paris.

Teu Corpo É Meu Texto celebra 25 anos de parceria entre Torloni e Possi Neto, iniciada em 1987 com a peça Lobo de Ray-ban. “É uma comemoração. E o enredo de Teu Corpo É Meu Texto é muito bonito. Às vezes, no balé, não há história, são temas abstratos. No palco, apresentamos a história do homem, desde o rastejar até a hora em que ele voa. A arte faz o homem voar. E o final do espetáculo é muito bonito, as pessoas saem do teatro com uma sensação muito positiva”, afirma Torloni.

A atriz paulistana estreou na TV Globo aos 19 anos. Entre os personagens mais marcantes de Torloni estão Jô Penteado, de A Gata Comeu (1985), Fernanda, de Selva de Pedra (1986), e Dinah, de A Viagem (1994). Mais recentemente, ela foi uma das Helenas de Manoel Carlos em Mulheres Apaixonadas (2003). O papel mais recente na TV foi a vilã Tereza Cristina, de Fina Estampa, novela que terminou em março.

Christiane lembra ainda a participação na novela Kananga do Japão, exibida no fim dos anos 80 na extinta TV Manchete. Como suas cenas eram em um salão de dança, acabou tendo contato com tal universo e trabalhou com coreógrafos como Carlinhos de Jesus. A partir daí, passou a se dedicar ainda mais a aulas de expressão corporal.

“Amo tango e bolero, são expressões mais próximas ao coração, são melodramáticos e apaixonados. Quando danço, é como se eu fosse uma espécie de fio-terra, me conecto com o que há de mais profundo e também com aquilo que está além. Só lamento não poder ver da plateia, porque o espaço cênico é lindo”, diz a atriz.

A cenografia apresenta um cenário predominantemente noturno e é livremente inspirada em obras do pintor holandês Hieronymus Bosch (1450 – 1516), que abordou em sua produção temas como pecado e tentação, usando figuras simbólicas e caricaturais.

Christiane Torloni conta que ama a Bahia, desde a primeira vez que esteve aqui, no final da década de 70, apresentando, ao lado de Tony Ramos, o programa musical Globo de Ouro.

A atriz é bastante engajada em causas sociais, sobretudo aquelas ligadas à preservação da Amazônia. “Essa votação do Código Florestal é uma catástrofe, mesmo alguns políticos comprometidos com a causa acabam mudando o voto, vem a bancada ruralista atropelando tudo. Não percebem que a floresta em pé vale mais do que no chão”. 





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