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17/07/2010

Entrevista com Christiane Torloni sobre a peça A Loba de Ray-ban - Jornal do Almoço e Rádio Gaúcha AM/FM







CHRISTIANE TORLONI , A LOBA SEM MATILHA



O lobo é o maior representante selvagem da família canidae; é um sobrevivente da Era Glacial, de cerca de 300 mil anos atrás, e sua imagem é muitas vezes ligada à ideia de perigo e solidão. O espetáculo A loba de Ray-Ban, dirigido José Possi Neto, traz os atores Christiane Torloni, Leonardo Franco e Maria Maya ao Teatro Bourbon Country (Túlio de Rose, 80) na versão feminina de O lobo de Ray-Ban, originalmente encenado em 1987 e que trazia Raul Cortez no lugar do lobo e a própria Christiane e Franco no palco. A apresentação acontece no sábado, às 21h, e domingo, às 19h. Os ingressos estão esgotados.

A peça, que entre as duas montagens já teve mais de 25 mil espectadores, gira em torno de um triângulo amoroso entre os três personagens. Na obra, o teatro também se transforma em personagem importante à trama, já que a história é contada por Julia (interpretada por Christiane Torloni), uma atriz que interrompe a apresentação teatral e assume o clímax de sua crise existencial, envolvendo seu ex-marido, vivido por Leonardo Franco, e a amante, Mariana Maya, frente à toda a plateia. Os três são da mesma companhia teatral e, através de flashbacks, a história vai sendo contada aos espectadores.

O processo de construção da personagem de Torloni foi duro, segundo conta a atriz. “Como um bom lobo, ele só vai se dar bem com outros lobos. Apesar de ser uma criatura solitária, o lobo também anda acompanhado. O que acontece na peça é que existe um processo de exclusão: quem é lobo vai ficar e quem não é vai ter que ir embora”. Sobre a diferença do masculino para o feminino, ela diz: “As mulheres têm uma maneira hemorrágica de vivenciarem as emoções. Por mais que a peça essencialmente seja a mesma, no momento em que temos uma loba uivando ela vai uivar muito diferente do homem”.

Renato Borghi assina as versões masculina e feminina da peça. Dina Sfat, que acompanhava as leituras do espetáculo, em 1987, pediu para que Borghi escrevesse uma opção em que a personagem principal fosse uma loba. Oito meses depois, quando a escrita ficou pronta para ganhar vida nos palcos, Dina estava doente e não pôde encenar a loba. Dada a situação, o diretor mostrou o texto a Raul Cortez, que “o agarrou imediatamente - como um lobo”, conta José Possi Neto.

As mudanças que tiveram que ser realizadas nos dois textos são diversas. Para passar de um lobo, como era na primeira montagem, para uma loba, desta produção, foi necessário mais do que “trocar o ‘o’ pelo ‘a’”, conta Christiane. Na primeira montagem, Raul usava como referência cênica a peça Ricardo III, de Shakespeare; na montagem da loba é utilizada Medeia, de Eurípides. Possi utilizou, em o lobo, Eduardo II, também de Shakespeare, e, na loba, a referência do diretor pairou sobre a obra As criadas, de Jean Genet.

Christiane conta que Cortez também sofreu para a imersão no personagem: “Eu vi o processo de criação do Raul e vi como foi duro para ele. É muito difícil ser abandonado todas as noites. É um processo de construção não só da solidão, mas de se relacionar com sentimentos ligados à autoestima, e como você se liberta, sobrevive e se reafirma”.
E sobre ele, a atriz diz que, apesar de não estar fisicamente presente em cena, ele está o tempo todo ali: “O Guimarães Rosa fala que, quando uma pessoa morre, ela não desaparece: ela fica encantada. Este espetáculo é uma grande homenagem. Quando as pessoas estão entrando no teatro, elas começam a ouvir vozes da Bibi Ferreira, do Paulo Autran, do Raul, da Cacilda Becker. O espetáculo se passa em um teatro depois de um espetáculo. Todos os ‘fantasmas’ do teatro estão ali”.

Ela ainda adverte sobre a intensidade do espetáculo: “Não é diet. É um espetáculo para quem gosta de emoções fortes. Fala do abandono, dos encontros, do amor, mas tudo é dito sem poupar ninguém, porque a intenção não é esta. Não poupa os atores, nem o espectador”, resume.

Fonte : UOL ,


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