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20/07/2010

Veja Rio : 3 perguntas para... Christiane Torloni



Vinte anos depois de atuar em O Lobo de Ray-Ban, ao lado de Raul Cortez, Christiane Torloni traz ao Rio a versão feminina do texto de Renato Borghi. A Loba de Ray-Ban, já vista por 25 000 pessoas em oitenta apresentações pelo país, ganha temporada popular no Teatro Carlos Gomes a partir de sábado (24).

De quem foi a ideia de fazer um remake às avessas de O Lobo de Ray-Ban?

O histórico dessa montagem é muito interessante. Quando o Renato (Borghi) escreveu a versão masculina, em 1987, mostrou o texto para a Dina Sfat (1938-1989) e ela disse na hora que queria o papel de protagonista. Ele reescreveu a peça, mas a Dina ficou doente. O projeto original foi retomado e eu entrei para substituí-la no papel de Júlia Ferraz. O texto feminino ficou perdido até 1989, quando o Leonardo (Franco) encontrou os manuscritos na Biblioteca Nacional, tirou cópias e comprou os direitos. Por vinte anos ele guardou o texto, esperando o momento certo para montar.

O que muda de um texto para o outro?

A mudança mais específica é a condição hemorrágica da mulher. Você imaginaria o Pedro Almodóvar fazendo Homens à Beira de um Ataque de Nervos? O comportamento de um homem com 50 anos é uma coisa e o da mulher com 50 anos é outra. No texto também mudaram as referências, já que a trama é sobre um triângulo amoroso entre atores de uma companhia teatral. Em O Lobo, eles representam Ricardo III e ensaiam Eduardo II, de Shakespeare, enquanto em A Loba eles trabalham com As Criadas, de Jean Genet, e montam Medeia, de Eurípides. Não existe na dramaturgia universal uma personagem tão potente como Medeia.

Como você se vê como atriz desse espetáculo vinte anos depois?

Acho que a Júlia (sua personagem) está marinando há vinte anos. Com 30 anos de idade, ninguém é loba. A peça remete a esse impulso do “começaria tudo outra vez”, como dizia o poeta (citando Gonzaguinha). Já estou com 35 anos de carreira, que me deram também outra dimensão do público. Não é só ele que quer me ver. Eu também quero olhar a plateia. Por isso foi opção nossa fazer uma temporada com preços populares no Teatro Carlos Gomes. Fiquei apaixonada pela plateia dali, há seis anos, quando apresentei os três monólogos de Mulheres por um Fio. Dava para ver nas poltronas desde trabalhadores com uniforme até pacientes do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que fica perto.

Fonte : Veja Rio

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